Publicado em 03 de Fevereiro de 2018

Após 24 cirurgias em um ano, 'Homem Árvore' sofre recaída

As mãos de Bajandar, conhecido como o ''Homem Árvore" voltaram a ficar coberta de lesões

Abul Bajandar, que não pôde trabalhar durante anos, teme não que se cure nunca / Foto: Munir Uz Zaman/AFP

 

Abul Bajandar, que não pôde trabalhar durante anos, teme não que se cure nunca
Foto: Munir Uz Zaman/AFP
AFP

Há um ano, Abul Bajandar, que ficou conhecido como o "Homem Árvore" pelas verrugas em forma de casca que cresciam em suas extremidades, parecia estar se recuperando da doença da qual padeceu por uma década.

Mas 12 meses depois de os médicos terem lhe dado alta após 24 operações cirúrgicas, as mãos de Bajandar voltam a ficar cobertas de lesões.

A cirurgiã Samanta Lal Sen, que no ano passado comemorou sua melhora como um marco na história da medicina, admite agora que o caso de Bajandar pode ser mais complicado do que se pensava no início.

Seu paciente, que não pôde trabalhar durante anos, teme não se curar nunca.

"Tenho medo de ter que me submeter a mais operações. Não acredito que minhas mãos e meus pés voltem a ficar bons de novo", disse à AFP Abdul, de 27 anos, no Hospital Universitário de Daca, onde foi para ser tratado em janeiro de 2016.

Bajandar sofre de epidermodisplasia verruciforme, uma raríssima doença genética da pele.

Intrigados por esta enfermidade tão pouco frequente, os médicos do hospital o atenderam gratuitamente e em sucessivas cirurgias retiraram mais de cinco quilos de gigantes excrescências de suas mãos e seus pés. 

Desde então, vive em um pequeno quarto do hospital com sua esposa e sua família. 

"Pensávamos que tínhamos conseguido a cura. Mas agora parece um caso que levará muito tempo", disse Sen à AFP. "Vamos continuar pesquisando até alcançar um sucesso definitivo, embora seja difícil dizer quanto tempo isso levará", declarou a médica Sen à AFP. 

Esta semana Bajandar teve que ser submetido à 25ª operação para retirar algumas das verrugas que cresciam em suas mãos.

Menos de 12 casos

Para sua esposa, Halima Jatun, sua vida está em suspenso enquanto atende seu marido e cuida de sua filha de quatro anos. 

"Estamos agradecidos pelo tratamento gratuito. Nós não poderíamos pagá-lo", afirma Jatun, que fabrica joias para ganhar dinheiro. 

Segundo Sen, menos de 12 pessoas em todo o mundo sofrem de epidermodisplasia verruciforme. 

No ano passado, o Hospital Universitário de Daca tratou uma criança que sofria da mesma doença. 

Os médicos declararam que a operação para retirar suas verrugas foi um sucesso, mas seu pai disse posteriormente que as lesões haviam voltado ainda mais numerosas. 

Naquele momento decidiu interromper o tratamento ao argumentar que não queria vê-la crescer em um hospital. 

"Ninguém merece ficar para sempre em um hospital", disse uma enfermeira que trabalha na unidade de cirurgia plástica. 

"Infelizmente ele tem que permanecer aqui por um tempo", declarou. 

Enquanto isso, Bajandar enfrenta muitas preocupações econômicas, entre elas como vai pagar a educação de sua filha. 

"Está crescendo tão rápido", diz. "Quero que seja médica. Mas se a minha doença piorar, como poderei mandá-la para a creche? Ou para a faculdade de medicina?", se questiona.